Como gerir os desejos de consumo das crianças

A quem se lembre nos anos 80 e 90 das inúmeras propagandas na TV que enchiam nossos olhos. Era de lá que tirava as ideias dos presentes que pedia aos meus pais no aniversário e no Natal…


Lembro-me num aniversário, de ir a uma loja com minha mãe e irmão, pra comprar uma boneca da She-Ra (quem lembra?) e chegando lá fiquei super frustrada ao ver que o tal brinquedo tinha um tamanho muito inferior ao representado no comercial, e o meu influencer da época, o meu irmão, me convenceu a mudar de ideia e comprar um “pega-peixes”.


Hoje em dia, as marcas em geral não usam mais desses artifícios ilusionistas para despertarem o interesse e a atração dos consumidores.


Com a restrição pela resolução 163/2014 do Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente (Conanda), do que é a publicidade abusiva para crianças e do Código de Defesa do Consumidor, que proíbe a propaganda que se aproveita da deficiência de julgamento e da experiência infantil e valendo-se da evolução tecnológica,  as empresas adotaram uma maneira muito eficiente de promover seus produtos: o uso de grandes plataformas digitais como o YouTube, da qual os próprios usuários mirins, apoiados pelos pais, são patrocinados para atestarem os produtos e despertarem o desejo dos pimpolhos.


Assim, o imaginário dos pequenos passou a ser estimulado através de experiências de unboxing (que refere-se ao ato de desembrulhar presentes), escolhas em prateleiras de brinquedos, comprinhas e viagens ao exterior, “recebidinhos” de patrocinadores, que escondem o grande perigo do materialismo exagerado e seus malefícios. Além disso, tais plataformas são programadas para relacionar os conteúdos exibidos pelas preferências acessadas, forjando a apresentação de uma espécie de conteúdo vicioso, que pode acarretar prejuízos ao comportamento das crianças.

Aquelas que percebem na ostentação um caminho para se auto-promoverem ou despertarem inveja em quem não tem acesso ao que elas tem, podem se condicionar a um padrão mental de que a felicidade é encontrada nas coisas e que precisam esconder suas verdades internas, a fim de caberem no mundo que se inserem e não se sentirem suficientes até que novas conquistas sejam alcançadas. De outro lado, as crianças que não tem acesso à vida “perfeita” exposta nas telas, podem se sentir com problemas de auto-estima e depressão, focando sua atenção no padrão inatingível ora percebido.


Em ambos os casos, tanto daquele que ostenta, quanto do que sente falta de acesso, pode afetar o senso de não pertencimento social  (que é uma necessidade básica do ser-humano). Acompanhe o blog que trarei o assunto na semana que vem! 😉


Principalmente em tempos de pandemia, com crianças em casa em horário integral, para lidar com esses desafios, os pais precisam gerenciar o tipo de conteúdo acessado pelos filhos, além de se autoavaliarem quanto a sua forma de consumo, uma vez que as crianças tendem a adotar o mesmo estilo familiar.


Com tanto estímulo, vale propor à criança uma lista de presentes, da qual ela poderá indicar seus desejos e deverá aguardar o momento adequado para recebê-los, uma data especial, como aniversário, natal, dia das crianças, evitando com isso que se desenvolva uma postura imediatista e o aprendizado de que as conquistas são sim, prazerosas, mas que advém de processos que são construídos ao longo do tempo, o que certamente aumenta a percepção de valor daquele que conquista ou recebe.


Grazielle Andrade

Blog Com a Grana Toda

Educadora e Coach Financeira


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